O que é o Colostro? Tudo sobre a primeira vacina natural do bebê
Entenda como esse líquido tão importante pode trazer grandes benefícios à saúde dos bebês, e porque é conhecido como o ouro líquido da amamentação.
O que é o colostro?
Essa é uma das maiores dúvidas das mães, ele é o primeiro líquido produzido pelas glândulas mamárias nos primeiros dias após o parto ou até mesmo durante o final da gestação. É um líquido precioso e rico em diversos benefícios para os bebês, é o leite gerado para as primeiras mamadas, conhecido como Ouro Líquido.
Quando o colostro é produzido e por quanto tempo?
A mulher pode desenvolver o colostro antes mesmo do parto, no início do primeiro trimestre de gestação, pode-se notar um líquido amarelado e espesso (grosso) saindo dos seios, ele aparece durante os primeiros dias após o parto, para ajudar na sustentação da saúde dos recém-nascidos. E sua duração pode variar de 48 a 72 horas, algumas vezes por mais tempo. Mesmo que surja em pequenas quantidades, o colostro nutre o recém-nascido logo nos seus primeiros dias de vida (momento conhecido como Hora Dourada), fornecendo anticorpos e vitaminas indispensáveis para a proteção do bebê.
Colostro na gestação: o que esperar

O colostro começa a ser produzido pelo corpo da mulher por volta da 14° a 16° semana de gestação (início do 4° mês). No entanto, pode ocorrer o vazamento desse líquido durante o 2° trimestre de gravidez (quinto mês em diante). Em algumas mulheres o colostro vaza em grande quantidade durante a gravidez, em outras isso não ocorre, sendo absolutamente normal em ambas situações.
Não há relação entre esse fato e a produção de leite depois que o bebê nasce, assim como também não há relação entre a quantidade de colostro que vaza e a quantidade que continuará sendo produzida após o nascimento do bebê. O mais importante é que as mamães tenham o devido acompanhamento e auxílio para que o bebê faça a pega correta desse líquido tão precioso.
Transição do colostro para o leite maduro (dias 2–14)
Após o colostro ser produzido, o leite materno de transição começa a ser gerado entre o segundo e o quinto dia após o parto, para dar lugar ao leite “maduro”, num processo conhecido como apojadura (descida de leite). A maturação do leite acontece devagar, esta composição vai se modificando de forma gradual e progressiva, até alcançar o estágio final, entre o 6° ao 14° dia após o parto.
Composição do colostro — por que é chamado de ouro líquido?

Este termo é associado ao colostro por ser uma importante fonte de proteção e alimentação do seu recém-nascido. Além de se tratar de um líquido de cor amarelo-dourada e possuir um incrível valor nutricional. Seus diversos nutrientes contribuem positivamente para a saúde dos bebês, principalmente em seus primeiros dias e semanas de vida. As principais proteínas produzidas pelo colostro são imunoglobulinas, anticorpos que protegem os bebês contra vírus, bactérias e agentes infecciosos.
Além de conter lactoferrina, uma proteína com ação antibacteriana e anti-inflamatória, e também da lisozima, enzima que auxilia na destruição das paredes celulares das bactérias. Se tornando assim, um líquido preciosíssimo para a ingestão dos bebês, deixando-os blindados desde os primeiros dias de vida.
Tabela: Colostro vs. Leite de transição vs. Leite Maduro (proteínas, gordura, imunoglobulinas, calorias)
| Componente | Colostro
(1° ao 5° dia) |
Leite de transição
(6° ao 15° dia) |
Leite maduro
(Após o 15° dia) |
| Calorias | 54 a 59 kcal /100ml | 62 a 66 kcal /100ml | 68 a 70 kcal /100mL |
| Proteínas | 2,0 a 2,3 g /100ml | 1,5 a 1,8 g /100ml | 0,9 a 1,3 g /100ml |
| Gorduras | 2,6 a 2,9 g /100ml | 2,9 a 3,9 g /100ml | 3,5 a 4,2 g /100ml |
| Lactose | 4,0 a 5,3 g /100ml | 5,4 a 6,5 g /100ml | 6,5 a 7,3 g /100ml |
| Oligossacarídeos | 22 a 24 g/L | 15 a 20 g/L | 12 a 13 g/L |
| Imunoglobulinas | 10 a 12 g/L (Proteção máxima) | 2 a 3 g/L (Fase intermediária) | 1 a 1.5 g/L(Manutenção diária) |
Como cada organismo é único, a tabela não reflete valores exatos para todas as mulheres. Idade, raça e quantidade de gestações não têm relação significativa com essa diferença, a genética e os fatores biológicos é que determinam essas variações. Além disso, o próprio leite se adapta continuamente ao estágio de lactação e ao ambiente.
IgA secretória — o escudo imunológico do recém-nascido
Leite materno proporciona equilíbrio nutricional e fortalece o sistema imunológico do bebê por meio da transferência imunológica de mãe para filho. Em pesquisas feitas referente aos componentes do leite materno, foi descoberto que a imunoglobulina (IgA) secretória, encontrada em grande abundância no colostro possui grande relevância entre as demais.
A pesquisa buscou entender como a IgA atua na proteção do bebê. Os resultados mostraram que esse anticorpo protege o recém-nascido ao criar uma barreira na mucosa, o que impede a proliferação de bactérias nocivas nos tecidos. Essa ação reduz infecções e previne doenças como diarreias, gastroenterites, infecções respiratórias e gastrointestinais, bacteremias e sepses neonatais. Garantindo assim, um escudo imunológico para os recém-nascidos.
Fatores de crescimento e lactoferrina
A lactoferrina é uma glicoproteína bioativa multifuncional, com efeitos muito benéficos na microbiota intestinal. Encontrada em alta quantidade no leite materno, principalmente no leite colostro, atuando como um fator de crescimento local e modulador celular, além de possuir ação antimicrobiana e anti-inflamatória. Além disso, o colostro possui fatores de crescimento que atuando sinergicamente, beneficiam de diversas maneiras os bebês, alguns deles são:
- Fatores de crescimento epidérmico (EGF): Desempenha um papel fundamental no desenvolvimento, cicatrização e integridade da mucosa intestinal.
- Fator de crescimento transformador: Atua na regulação do sistema imunológico e promove a tolerância a antígenos.
Todos esses fatores juntos estimulam a proliferação celular, promovem a maturação do trato gastrointestinal, fortalecem a imunidade e favorecem o desenvolvimento do microbioma saudável e das funções cognitivas. Suas principais atuações no organismo, são:
- Maturação intestinal: Estimulam a multiplicação de enterócitos (células intestinais), melhorando a integridade da mucosa e a absorção de nutrientes.
- Imunidade: Modulam a resposta inflamatória, aumentam a produção de anticorpos (IgA secretora) e combatem agentes patogênicos.
- Crescimento de Probióticos: A lactoferrina auxilia seletivamente no crescimento de bactérias benéficas (como Lactobacillus e Bifidobacterium) no intestino.
Benefícios comprovados do colostro para o recém-nascido
O colostro reúne tantos benefícios para a saúde do recém-nascido que entidades de todo o mundo recomendam seu uso. No Brasil, instituições como UNICEF e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lideram a divulgação dessa prática. Pesquisas mostram que a ausência desse nutriente nos primeiros dias pode comprometer a imunidade da criança ao longo da vida Os principais benefícios comprovados para os recém-nascidos, são:
-Fortalecimento do sistema imunológico dos bebês;
-Ajuda na prevenção da hipoglicemia em bebês nascidos com a condição;
-Oferece a nutrição ideal que um recém-nascido precisa;
-Auxílio no fortalecimento de uma microbiota intestinal saudável, revestindo os intestinos e impedindo a absorção de bactérias nocivas.
Proteção intestinal (selamento da mucosa)
Durante o tempo em que o bebê está na barriga da mãe, seu intestino é completamente indefeso e não possui proteção contra bactérias e outros agentes infecciosos. O leite colostro age como uma “primeira vacina” que contribui significativamente na saúde do bebê, fazendo um selamento da mucosa do intestino, protegendo-o de bactérias e vírus, que assim, premunem possíveis alergias no futuro. Além da prevenção de icterícia neonatal, alergias, diarréias e infecções no geral.
Imunidade passiva contra infecções
O colostro oferece imunidade passiva contra infecções porque é rico em anticorpos concentrados (imunoglobulinas, principalmente a IgA), até dois terços das células do colostro são glóbulos brancos que protegem das infecções, ao mesmo tempo em que ensina o bebê a combatê-las por si próprio. A IgA é particularmente a maior responsável pela proteção, pois reveste o trato gastrointestinal do bebê e neutraliza vírus e bactérias.
Prevenção de icterícia neonatal
Icterícia é uma das características mais comuns no período neonatal e apresenta-se como coloração amarelada na pele, esclera e membrana mucosa, indicando aumento de bilirrubina sérica com acúmulo de bilirrubina nos tecidos. Por isso, a ingestão do colostro é tão importante para a manutenção da saúde dos recém-nascidos, pois ele atua como um laxante natural que auxilia na evacuação do coco que possui altas concentrações de bilirrubina (causadora da icterícia).
Regulação da glicemia do bebê

O controle da glicemia do bebê é imprescindível quando a mãe desenvolve diabetes gestacional ou já possui a condição antes mesmo de engravidar. Mas apesar desse desafio, é possível que ambos continuem com saúde, desde que a mãe siga todas as instruções e cuidados necessários. Principalmente controlando os níveis de glicemia, que junto ao colostro são grandes aliados nessa etapa.
Muitas mães possuem a dúvida se poderão amamentar seus bebês possuindo diabetes, e a resposta é sim. O trato com insulina é compatível com a amamentação, pois as moléculas da insulina são grandes demais para passarem para o leite materno. O tratamento pode ser iniciado durante a gestação, e geralmente não precisa continuar após o parto.
Controlar a glicemia é o principal meio de evitar possíveis complicações para ambos (mãe e bebê). O bebê pode desenvolver hipoglicemia (níveis baixos de glicose no sangue) por pelo menos 12 horas após o nascimento, principalmente em casos de pouco controle glicêmico durante a gravidez. O contato pele a pele e o aleitamento nas primeiras horas ajudarão na saúde do bebê, já que o colostro é o principal e melhor alimento para o bebê em caso de hipoglicemia.
Quanto colostro o bebê precisa nos primeiros dias?
De apenas 5 a 7 ml de colostro por mamada, ao nascer o estômago de um recém-nascido pode ter o tamanho de uma cereja, por isso o colostro é mais do que suficiente para alimentá-lo nos primeiros dias de vida. Para saber se o colostro está sendo suficiente, é só observar se o bebê está urinando e evacuando regularmente, esse é o principal sinal de que ele está recebendo colostro o bastante.
De início, é completamente normal que as evacuações sejam escuras e pegajosas. Contudo, à medida que o bebê ingere e absorve o colostro, as fezes mudam de aspecto e começam a clarear. Ou seja, o colostro só tende a fortalecer o vínculo mãe-bebê e contribuir significativamente para a saúde do pequeno. O mais importante é amamentá-lo em livre demanda, pois é crucial para o desenvolvimento inicial do bebê.
O colostro pode ser extraído e armazenado? (ordenha antenatal)

Com certeza! Médicos e especialistas incentivam fortemente essa prática, pois ela garante que o bebê receba o colostro mesmo quando surgem dificuldades na amamentação tradicional. Conhecida como ordenha antenatal, essa técnica conta com profissionais capacitados que auxiliam as mães a extraírem a maior quantidade possível desse alimento para seus bebêsMas é claro que seu modo de armazenamento é muito importante pois mantém a qualidade do leite e a esterilidade.
De acordo com o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o leite materno pode ser armazenado em um recipiente de vidro com tampas plásticas de rosca (previamente esterilizados) ou em seringas estéreis como no caso do colostro. Deve conter data e hora, o protocolo brasileiro recomenda que o tempo de conservação seja:
– Em geladeira (até 4°C) por até 12 horas;
– Em freezer (-18°C ou mais frio) até quinze dias;
– Em temperatura ambiente (até 25°C), por até 2 horas.
Perguntas Frequentes sobre Colostro
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O que é colostro?
– É o primeiro leite produzido por mulheres grávidas para os bebês, conhecido como Ouro Líquido.
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Por que é chamado de Ouro Líquido?
– Por ser rico em nutrientes e diversos benefícios para a saúde do recém-nascido, nutrindo e protegendo o bebê em seus primeiros dias de vida.
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Pode ser extraído e armazenado?
– Sim, algumas mulheres conseguem fazer a extração durante a gravidez. Já outras somente nos primeiros dias pós-parto. Amazene por 12 horas na geladeira ou 15 dias no freezer.
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Diferença para o leite maduro?
– A diferença principal está na quantidade de nutrientes oferecidos, o leite colostro fornece muitos benefícios e proteção para os primeiros dias do recém-nascido.
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Por quanto tempo o bebê precisa?
– Ele é essencial para os primeiros 2 a 5 dias de vida do bebê, uma vez que protege o intestino e, além disso, age como uma primeira vacina, consequentemente fortalecendo o sistema imunológico.
Conclusão e produtos na Drogaria Nova Esperança para auxiliar nos primeiros dias
Agora que você já sabe os diversos benefícios desse líquido tão precioso e necessário, não deixe de oferecê-lo ao seu bebê. E lembre-se de espalhar as informações corretas para as futuras mamães, o Ouro Líquido é ainda mais celebrado neste Agosto Dourado, o mês dedicado à amamentação. Para cuidar do seu bebê com ainda mais amor, procure nossos produtos da categoria Mamãe e Bebê e encontre tudo para os cuidados do seu pequeno.
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Fonte: Gov/ Sociedade Brasileira de Pediatria/ AleitamentoMaterno.com / UNICEF
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